terça-feira, 3 de junho de 2008

TURISMO ÉTICO E SOLIDÁRIO

Clique na imagem acima e veja o vídeo de Turismo Ético na Amazónia

A actividade turística, da forma como tem sido desenvolvida, tem-se revelado profundamente devastadora para as comunidades dos países receptores, suas culturas e tradições, e para o meio ambiente. Além disso, tem ajudado a aprofundar as desigualdades socioeconómicas entre os países do Norte (mais ricos) e os do Sul do planeta, já que os lucros gerados em quase nada beneficiam as comunidades locais.

O Turismo é um produto com características únicas, pois quando o consumidor adquire uma viagem não está a comprar algo fisicamente palpável. Na verdade, está a comprar sonhos e ilusões.
Aí incide parte da estratégia da maioria dos operadores turísticos cuja preocupação é proporcionar o paraíso aos clientes, sem qualquer rigor na informação ou aprofundamento das questões referentes aos aspectos sociais, políticos e culturais.

Indo mais além, no actual cenário económico mundial o Turismo possui as seguintes características:
- É o sector de mais rápido crescimento da economia mundial. Portanto, os países subdesenvolvidos tentam atrair investimentos estrangeiros sem qualquer critério, considerando que o seu potencial pode gerar milhões de dólares com relativa facilidade
- Dominado pelas grandes empresas transnacionais;
- Pacotes "tudo incluído" pagos na origem;
- Quando utiliza mão-de-obra local, pratica uma política de baixos salários sem garantir um mínimo de estabilidade;
- Mercado extremamente competitivo, onde os factores preço, criação de ilusões (promessa de lugares de sonho, exotismo, etc.), são tidos em conta em detrimento de outros aspectos que exigiriam um trabalho mais aprofundado de pesquisa e informação ao consumidor de viagens;
- Fortes campanhas de "marketing" promovidas por estes grandes grupos, dirigidas somente ao bem-estar do turista, provocando:- Fraca consciencialização do turista para os problemas sociais, ambientais, políticos e económicos enfrentados pelas populações que os recebem;- Perda das identidades culturais locais através da criação de estereótipos adequados a um ou mais mercados emissores.
- O já referido consumo de culturas exóticas, praias paradisíacas e hotéis de luxo é altamente direccionado para os países do 3º mundo - América Latina, Ásia e África, cuja fragilidade da legislação potencializa o benefício unilateral das transnacionais.

Além disso, o Turismo é parte integrante dos programas de ajuste estrutural impostos pelo FMI e Banco Mundial, classificando-o numa estratégia de exportação como condição para realizar empréstimos.

Nesta lógica, os governos dos países devedores endividam-se para cumprir os seus compromissos mediante enormes investimentos em infra-estruturas turísticas como estradas, hotéis e outros. Os investimentos públicos nesta área somam mais de 800.000 milhões de dólares por ano em todo o mundo, equivalentes a 12% de todo o investimento mundial.
Paralelamente às condições impostas pelo FMI e Banco Mundial a OMC (Organização Mundial do Comércio) tomou outras medidas para liberalizar a economia mundial através do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços que inclui as seguintes práticas:
- Facilita o investimento de empresas transnacionais na indústria turística dos países em desenvolvimento;
- Considera uma prática desleal de comércio a protecção das empresas nacionais e proporciona às transnacionais os mesmos benefícios destinados às pequenas empresas locais.

Outro tratado internacional que integra a indústria turística na economia global é o Acordo Sobre Medidas de Investimento Relacionadas com o Comércio, que elimina a exigência das empresas estrangeiras utilizarem matéria-prima dos países que as acolhe.
Mesmo do ponto de vista estritamente económico, à medida que estes acordos se vão implementando, nota-se que as remessas dos lucros efectuadas pelas empresas estrangeiras para os países de origem tendem a ser maiores que a entrada de capitais. Isto leva a questionar seriamente a afirmação que a globalização e liberalização do turismo produz riqueza, progresso social e preserva o ambiente.

Isto leva-nos a concluir que os poucos benefícios que as comunidades dos países receptores do 3º mundo têm com este tipo de desenvolvimento turístico são superados pelos danos causados. Sofrem com a imposição de uma indústria sobre a qual não têm controlo ou direito a opinar.
Embora uma mudança profunda possa somente ocorrer a partir de uma alteração radical, que leve a uma maior equidade nas relações comerciais entre os países do Norte e do Sul do planeta, podemos, felizmente, apontar para a criação e valorização de experiências que actualmente são uma realidade no mundo.

A alternativa ao modelo actual de relações comerciais praticado pela indústria turística emerge a partir da base estabelecida nos princípios do Comércio Justo - o TURISMO ÉTICO, RESPONSÁVEL E SOLIDÁRIO!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Inquérito I - a primeira experiência interactiva

No início do lançamento deste blogue foi colocado este inquérito sobre critérios no consumo de produtos alimentares cujos resultados estão em baixo apresentados.

Para visualizar melhor clicar em cima da imagem:

sábado, 10 de maio de 2008

Espaço público

Estão disponíveis on-line os resultados de um interessante estudo que pretendeu analisar a dinâmica do uso público de praças urbanas, onde se discutem as práticas que fortalecem a sua apropriação como espaço público de lazer, bem como as práticas que enfraquecem o uso desse espaço.

Para ler clicar em: "Praças e Lazer: dinâmica de uso e apropriação de espaços públicos..."

domingo, 4 de maio de 2008

Divulgações Início de Maio

6 de Maio, Grande Auditório da FCT/UNL, Monte da Caparica
às 9:00h
Seminário "Novas Obras Públicas: Desenvolvimento ou Subdesenvolvimento"
Entrada livre mediante inscrição: fctamb@gmail.com
Org.: FCTAmb; CPLEG; AEFCT; FCT; GEOTA; SERS /Apoios: CT; IPJ

8 de Maio, Fundação Serralves, Porto
das 17:00h às 19:30h
Conversas de Fim de Tarde: OGM – Organismos Genéticamente Modificados - Uma opção Sustentável?
Entrada livre mediante inscrição:226156587 / c.almeida@serralves.pt
Org.: LPN e Fundação Serralves

9 de Maio, Solar dos Zagallos, Sobreda - Almada
às 19:00h
Conversas sobre Consumo Responsável; Estreia do filme/doc “Agrovidas - Comércio Justo” e debate com Rafael Cezimbra Souza (Cealnor, assoc. produtores frutícolas, Bahia, Brasil).
Org.: Mó de Vida, IMVF, CMA (Quinzena do Comércio Justo)

9, 10 e 11 de Maio, Zona Ribeirinha de Odemira
Fórum Social de Odemira: ateliers, música, dança, seminários, debates, desportos, torneios, comida, teatro, fantoches, workshops.
Org.: Rede Social, Município de Odemira

10 de Maio, Solar dos Zagallos, Sobreda - Almada
das 11:00h às 18:00h
Dia Mundial do CJ: Teatro de Sombras, Filme “Agrovidas - Comércio Justo” e conversa com Rafael Souza, Mural, Piquenique, Gincana.
Inscrição gratuita: modevida@modevida.com
Org.: Mó de Vida, IMVF, CMA (Quinzena do Comércio Justo)

10 Maio, Príncipe Real, Lisboa
Dia Mundial do CJ: Tenda com banca/ actividade.
Para mais info.: 212720641
Org.: Cidac, Ecos do Sul, Mó de Vida

11 de Maio, Centro Social da Mouraria, Lisboa
das 14.30h às 19.30h
Oficina de material urbano reciclado; Banca informativa; Espaço para crianças; Música ao vivo; Visita à horta; Tertúlias; Jantar.
Org.: Gaia, Centro Social da Mouraria

12 e 13 de Maio, Mó de Vida, Almada
Encontros do Produtor (Cealnor) nas escolas.
Para mais info./ inscrição gratuíta: modevida@modevida.com
Org.: Mó de Vida, IMVF, CMA (Quinzena do Comércio Justo)

13 de Maio, Auditório A 102, Fac. Economia, Lisboa
às 18:00h
Debate sobre Economia Verde
Org.: Pdia; Apoio: Assoc. Estudantes Fac. Economia UNL

14 de Maio, Instituto Franco-Português, Lisboa
às 21:30
Debate sobre artigo de Dominique Baillard «Como disparou o mercado mundial dos cereais», integrado no dossier «Especulação, crise alimentar, motins da fome».
Org.: Institut Franco-Portugais, Le Monde Diplomatique

14 a 17 de Maio, Fórum Romeu Correia, Almada
Filmes, docs: selecção Cine'eco.
Para mais info.: 212720641
Org.: Mó de Vida, IMVF, CMA (Quinzena do Comércio Justo)

16 e 17 de Maio, Odemira
Encontro Hortas Vivas – Relações de Cidadania entre Produtores e
Consumidores.
Org.: Projecto Re.Ci.Pro.Co. - Programa Leader (INDE, TAIPA, Crl. e ProRegiões)

Resgatadores de frangos - pela soberania alimentar

Clique na imagem e veja o vídeo



sexta-feira, 25 de abril de 2008

VÍDEO Hortas Urbanas e Soberania Alimentar

Para ver o vídeo clicar em cima da imagem


O vídeo mostra a visita à horta urbana do Sr. Valentim situada no Pragal e o convívio posterior na Mó de Vida. Esta visita foi realizada no seguimento de outras visitas.

Citando o vídeo, "Entre as várias hortas visitadas agradecemos a disponibilidade dos amigos José Mariano, Paulo e Valentim. E à UMAR por nos emprestar a terra para semear sonhos e realidades."

Com "O Cio da Terra", música de Milton Nascimento e letra de Chico Buarque e ainda, o texto de Eduardo Galeano:

“Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa as flores dormirem, nem as galinhas nem as pessoas. Nas estufas as flores estão expostas à luz contínua, para que cresçam mais rapidamente. Nas fábricas de ovos, a noite também está proibida para as galinhas. E as pessoas estão condenadas à insónia pela ansiedade de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem metade dos calmantes, ansiolíticos e demais drogas químicas que são vendidas legalmente no mundo; e mais de metade das drogas que são vendidas ilegalmente – o que não é uma “coisinha” à toa se considerarmos que os EUA contam com apenas cinco por cento da população mundial.” Eduardo Galeano

quinta-feira, 24 de abril de 2008

José Mariano na Rádio


"As hortas urbanas, outrora uma presença dominante na paisagem sofreram um período de abandono que culminou na perda de solos para urbanização. Hoje as hortas parecem recuperar algum espaço na cidade, podendo adquirir um papel importante como apoio a rendimentos familiares, alternativas alimentares e preservação de saberes e sabores. José Mariano, 38 anos, professor de Biologia-Geologia, formador na Agrobio e membro da Associação Colher para Semear, fala-nos da sua experiência e visão como hortelão-amador, sobre as hortas urbanas num contexto passado e actual."

Este é o mote inicial que situa a entrevista com José Mariano, para o Espaço Sociofonia do Programa de Rádio "Vidas Alternativas". De toda a longa e rica entrevista podem ouvir-se aqui várias partes onde está patente uma preocupação com a preservação das variedades locais e a transmissão do "saber-fazer".

Para entrar no programa de rádio e fazer download clicar aqui:
Vidas Alternativas

Citando a sinopse do programa: "O espaço da Sociofonia escolhe desta vez abordar a realidade social e humana de uma forma completamente transversal. Ambiente, qualidade de vida, consumo, organização e planeamento urbano, gestão de recursos aquíferos, abastecimentos, alimentação saudável. Onde cabe tudo isto? Nas hortas urbanas! Paula Tavares entrevista José Mariano da associação Colher para Semear. Ele é professor de Biologia/Geologia e agricultor de uma horta urbana completamente biológica. O recrudescimento desta prática antiga nos novos moldes do mundo de hoje. A realidade da horta na cidade com implicações holistas (aos 4’10”)."